Núncio Apostólico pede mais evangelização da cultura em Angola
Novo Rumo – Sr. Núncio
Apostólico, foram 5 anos ao serviço da Santa Sé em Angola e parte agora para
uma nova missão. O que tem a dizer sobre este tempo?
NA
– Foi um momento de muito empenho e muito trabalho. Sobretudo a Igreja local
trabalhou muito e também cada fiel. Os bispos, sacerdotes, os leigos, crianças
e jovens, todos trabalharam para que a obra evangelizadora possa continuar. E
assim a missão de Cristo continue a ser realizada neste país.
NR – Durante este tempo
houve necessidade da nomeação de novos bispos para algumas dioceses como
Namibe, Ondjiva e Dumdo. Mas ainda há necessidade de mais novos bispos para
outras dioceses…
NA
– Sim, como é de costume, temos sempre necessidades dos que chegam a exercer o ministério
sacerdotal, que ajudem as comunidades cristãs a crescer e cheguem a se
fortalecer e também a empenhar-se ainda melhor segundo os métodos de
evangelização para que a missão de Cristo possa ter frutos desejados.
E
assim, as dioceses que acaba de mencionar são sinal disso mesmo. Temos que
trabalhar com toda a Igreja, segundo o Direito Canónico e segundo a tradição
eclesial, tivemos que trabalhar para obter novos pastores. Não somente nestas três
dioceses, mas tivemos também o bispo auxiliar de Luanda e o bispo do Sumbe. É
normal, porque a Igreja não pode ficar sem pastores. Por exemplo quando há
necessidade de fazer divisão duma diocese como Benguela e Namibe ou como foi
Luanda e Caxito, por necessidade pastoral, a Santa autoriza… para que cada
pessoa tenha a possibilidade de acesso aos serviços espirituais da Igreja; serviços
sociais das pessoas e tudo o que a Igreja faz.
NR – Durante a sua missão
em Angola, certamente, visitou todas as dioceses ou pelo menos muitas delas.
Que Igreja viu e como a considera quanto à prática cristã?
NA
– A prática cristã é sempre um problema, que o ser humano cristão possa viver o
que crê. Isto é a luta que acho que cada cristão faz; encontramos muitos
obstáculos como no que concerne à cultura nossa perante a invasão dos nossos
territórios em todos os países. Acho que em Angola há muitos esforços para que
os cristãos possam verdadeiramente viver segundo o nosso credo. Como digo, não
é fácil, mas também não é impossível. Aqui, por exemplo, segundo também as mensagens
do Concílio Vaticano II, estamos a evangelizar a cultura e as coisas da cultura
que não vão segundo o Evangelho de Cristo têm que ser evitadas. Por isso, tem
que se evangelizar a cultura. Temos o problema da feitiçaria como sabemos,
mentalidade um bocadinho menos cristã, no que concerne à vida familiar e
matrimonial. Temos também coisas modernas, aumenta a tendência de muitos deixarem a
religião ou de pensarem que cada grupo e cada culto é igual ao outro, assim
esquecendo o facto de que o cristianismo tem o único salvador, Cristo, que não
é igual a cada um que funda uma religião. E tudo isto também conta com o
relativismo da vida quotidiana. Tudo isto tem que ser muito bem estudado para
que a Igreja possa ajudar todos a abrir os olhos e seguir o Evangelho autenticamente
como Cristo desejou.
NR – Em Julho de 2014,
visitou a Diocese de Benguela e os cristãos aqui sentiram enorme satisfação e
alegria de o receber, acolher a sua mensagem e ouvir os seus ensinamentos.
Agora parte para uma nova missão, qual é a mensagem que deixa aos cristãos de
Benguela e aos seus pastores?
NA
– Naturalmente, um agradecimento profundo a tudo aquilo que se faz e se fez no
passado, favorecendo o desenvolvimento da fé. E agradecendo não posso esconder
a minha admiração de como, embora todos os obstáculos contra a fé em Cristo e
contra a Igreja, mas o povo continua a viver e se esforçar a uma prática
autêntica da própria fé em Cristo. Não posso esquecer o calor e a sua adesão à
Igreja Católica, à pessoa do Santo Padre, tudo o que se manifestou durante a
minha visita a esta porção do povo de Deus. Os nossos encontros com todos os
sacerdotes, religiosas, leigos, catequistas, responsáveis dos movimentos,
jovens e crianças foi uma coisa maravilhosa. Não posso esquecer as nossas
missões em Benguela, Lobito, os encontros na Catumbela, nas duas paróquias, e
todas as partes da diocese.
Como
disse antes, acho que agora é o momento de aprofundar esta fé, vive-la sempre
procurando a plenitude da promessa de Cristo que é a nossa Palavra.
NR – Angola foi a sua
primeira missão diplomática como Núncio, missão essa que agora termina. Como foi
esta experiência e o quê que espera encontrar em Honduras?
NA
– Aqui encontrei e deixo uma Igreja que está a se desenvolver, uma evangelização
que podemos considerar de aprofundamento e fortalecer esta adesão dos cristãos
à Palavra e ao evangelho de Cristo.
Vou
a Honduras onde também farei o mesmo trabalho. Neste sentido, considero que os
anos de evangelização em Angola e naquela zona da América Latina, embora não
seja o mesmo, mas não está muito longe. Então, encontramos em todas estas
zonas, nos dois países, uma Igreja antiga e ao mesmo tempo nova. É assim que
temos que “combater” todos os obstáculos que a Igreja enfrentou durante a
primeira obra da evangelização e como também durante a segunda evangelização.
Neste sentido acho que Angola e Honduras estão próximos. Ao mesmo tempo,
podemos dizer que em Angola temos uma população maior e o território também é
maior. Isto, por um lado, complica e dá um bocado de diferença na transmissão
da mensagem evangélica. Por exemplo, o papel dos catequistas acho que aqui é
maior e mais dignificante. O país para onde vou é um território relativamente
pequeno. Há estas diferenças também geográficas, mas no fundo é quase a mesma
coisa, é o mesmo terreno, e assim vamos caminhando; como pastores temos que ter
o método melhor. Oxalá que depois de ter uma experiência em Honduras, poderei
responder a esta pergunta melhor.
NR
– Muito obrigado, Sr. Núncio Apostólico, por estas palavras e que Deus abençoe
esta nova missão.
NA
– Agradeço os vossos serviços e a todos os fiéis da Diocese de Benguela, à
Igreja toda de Angola…e que todos continuem a praticar a fé. Que o Senhor
continue a abençoar cada um de vós para o maior empenho e para obter maiores
frutos da evangelização.
Muito obrigado.